JOSÉ BEZERRA

Artista bastante popular. Sua casa é cheia de totens de madeira em frente, um ateliê ao ar livre. Ele interfere pouquíssimo para criar as esculturas de grandes proporções, mas também cria objetos em menores dimensões. Há tempos, o local era uma aldeia de índio
Quando José Bezerra olha um pedaço de madeira ele já reconhece a imagem que ali se insinua. Sua arte então é esculpir o tronco para que o desenho surja, deixando, porém, uma janela aberta à imaginação. Com a intervenção de um facão, grosa, formão e serrote em árvores caídas, pedaços de troncos e raízes, ele retrata as mais diversas figuras, desde cabeças de gente, carros de boi, animais, tudo que faz parte do seu universo.
“A atuação sumária sobre as madeiras — que muitas vezes têm um facetamento que lembra a pincelada de Cézanne —, a lembrança constante de sua origem vegetal e a intensidade de suas figuras dão às obras a aparência de um movimento incompleto e inacabado, como se aspirassem a uma continuidade que as levasse além de seus contornos”, explica Rodrigo Naves. O crítico aponta como a obra de raiz pode se inserir no pensamento erudito da arte contemporânea.
José Bezerra vive no Vale do Catimbau, no sertão de Pernambuco, região, segundo pesquisadores e arqueólogos, considerada o segundo maior sítio arqueológico do Brasil, tanto pela quantidade de pinturas e inscrições quanto pelo valor histórico. É respirando esta atmosfera que o artista produz suas esculturas, exibindo-as ao redor de sua casa, uma aldeia de seres em madeira que encantam os viajantes que por lá passam, entre os quais Zé Celso Martinez. O artista faz questão de sublinhar o papel da imaginação em sua arte. “Assim, a importância que atribui ao ato de ver imagens em troncos e galhos que acha pelos arredores de seu sítio encontra na imaginação um elemento que afasta suas peças de um realismo singelo, de quem transpõe para as nuvens do céu os devaneios que lhe vão pela cabeça”, escreve Naves.
José Bezerra (1952, Buíque, PE) vive no Vale do Catimbau, no sertão de Pernambuco, região, segundo pesquisadores e arqueólogos, considerada o segundo maior sítio arqueológico do Brasil, tanto pela quantidade de pinturas e inscrições quanto pelo valor histórico. É respirando esta atmosfera que o artista produz suas esculturas, exibindo-as ao redor de sua casa, uma aldeia de seres em madeira que encantam os viajantes que por lá passam, entre os quais Zé Celso Martinez. O artista faz questão de sublinhar o papel da imaginação em sua arte. “Assim, a importância que atribui ao ato de ver imagens em troncos e galhos que acha pelos arredores de seu sítio encontra na imaginação um elemento que afasta suas peças de um realismo singelo, de quem transpõe para as nuvens do céu os devaneios que lhe vão pela cabeça”, escreve Naves..