Acervo / ANTÔNIO EUSTÁQUIO

ANTÔNIO EUSTÁQUIO

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Antônio Eustáquio

Nascido na cidade mineira de Raul Soares, com apenas um mês de idade sua família mudou-se para Mariana.

Em Mariana, obteve influências na arte. Desde muito cedo, demonstrava interesse pela arte. Com apenas 11 ou 12 anos de idade, já convivia com artistas contemporâneos como Zizi Sapateiro (artista primitivista conhecido mundialmente), Hélio Petrus (escultor de imagens sacras) e Elias Layon (pintor impressionista).

Com vinte e poucos anos, em meados dos anos 80, mudou-se de Mariana para o litoral capixaba, onde fazia alguns trabalhos com objetos do mar como conchas, plantas e outros.

Vários artistas fizeram elogios ao seu trabalho. Hoje, expõe quadros em galerias de arte e faz parte do SIAPEMG – Sindicato dos Artistas Plásticos Profissionais de Minas Gerais.

Em Belo Horizonte, já nos anos 90, Antônio Eustáquio convive com a artista plástica Eni de Carvalho, conhecida como a pintora dos cegos, por fazer trabalhos em alto-relevo.

São temas de sua obra, predominantemente, cenas que retratam de modo muito peculiar o imaginário popular brasileiro, com predileção por temas religiosos.

Antônio Eustáquio tem obras em importantes coleções privadas de arte naif no Brasil e no exterior, e em acervos de galerias como Galeria Brasiliana (SP), Errol Flynn (DF e MG), Belizário (MG) Galeria Contemple (MG), Art Commerce (ES), Antiquário Augusto Luitgards (DF), Galeria Quandrun (MG), Galeria Celso Albano (DF) e Casa Thomas Jefferson (DF). Teve o quadro “Minha Bíblia” premiado na Bienal 2010 do SESC de Piracicaba/SP.

Exposições: SESC-BH, em 2012; Coletiva no Casarão Centro Cultural Nhô-Quim Drummond, em Sete Lagoas/MG, no ano de 2007.

O elogio da simplicidade – A arte de Antônio Eustáquio

Mineiro de Raul Soares, Antônio Eustáquio nasceu predestinado a lidar com tintas e pincéis.

Profissionalizou-se como pintor na construção civil, mas não abandonou o sonho de menino de pintar quadros.

Embalado por esse sonho, mas sem condições materiais de buscar instrução formal, caminhou naturalmente para o autodidatismo. Beneficiou-se da efervescência cultural da cidade de Mariana, onde passou a infância e parte de sua juventude, para encontrar um caminho para expressar seu talento. Lá conviveu com o pintor naif Zizi Sapateiro e com sua obra. A admiração pela pintura do consagrado artista o fez ver que, também para ele, havia uma possibilidade de expressar-se plasticamente.

As primeiras experiências com a pintura aconteceram por volta dos 11 anos e representavam, acima de tudo, uma profissão de fé do garoto que queria ser artista. No início da vida adulta, por volta dos 20 anos, mudou-se para o Estado do Espírito Santo, em Guarapari, fez experiências com matérias orgânicas tais como conchas, areias, corais e plantas marinhas, mas logo voltou para as telas e tintas, pois sabia que elas estariam em sua vida para sempre.

Decidido a assumir sua vocação de artista plástico, Antônio pinta sistematicamente. Sua obra ancora-se nas mais significativas tradições do imaginário popular brasileiro, com destaque para religiosidade de nosso povo. Em suas telas povoadas por figuras diminutas de homens, santos e anjos, transparece uma visão ingênua dos seres e de cenas que ele registra com um colorido descompromissado com as cores reais e prenhe de muita emoção.

Há, no artista, uma preferência por dividir a sua superfície pictórica, em faixas horizontais, demarcá-la em geral com cores frias, instalar as pessoas e as cenas centrais da obra e povoar, copiosamente, toda sua superfície com elementos da flora e da fauna, segundo sua muito peculiar e fantástica concepção de mundo.

O resultado é dos mais gratificantes, pois nos faz ver que estamos diante da obra de um exímio colorista e de um artista obstinado em levar o lirismo ao seu maior refinamento. A vida, segundo a obra de Antônio, é simples e bela.

[Por Professor Augusto Luitgards, PhDBrasília/DF]

 

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